quinta-feira, 29 de maio de 2014

Kiss Rio saiu do ar sem data de inauguração. Se é que voltará ao ar


A rádio saiu do ar no último sábado. O sinal do parque do Morro do Sumaré entrou no ar em fase de testes no dia 5 de fevereiro deste ano, saindo do ar eventualmente para manutenção ou por problemas como falta de energia ou raios no parque de transmissão. Enquanto isso, nos últimos dias o sinal da torre de transmissão de São Gonçalo voltou ao ar, com baixa potência, transmitindo sequer para todos os bairros daquele município.

Sem equipe local montada, a rádio não tem data de inauguração. Se é que voltará mesmo ao ar. Se a rádio não voltar ao ar a partir do início do horário eleitoral, em agosto deste ano (teoricamente a rádio terá que transmitir a propaganda eleitoral do estado do Rio, não do estado de São Paulo), será possível designar os ouvintes da Kiss Rio como órfãos da Kiss Rio. O mesmo se aplicará a este blogue, que permanecerá como um tributo, mesmo que a rádio saia definitivamente do ar. A Kiss Rio ficará marcada como uma rádio que, se não teve o mesmo brilhantismo da campeã das campeãs do gênero (a Fluminense FM), teve a melhor programação rock da cidade do Rio de Janeiro nos últimos 20 anos, pelo menos entre as rádios oficiais, já descontando as piratas. Uma rádio que sofreu toda sorte de oposição em sua vinda para o Rio, de perseguição política à burocracia tecnocrática de alguns órgãos estatais.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

BR 102 de 17 de maio de 2014

Lista de músicas tocadas no programa de sábado passado:

Plebe Rude - Proteção
Golpe de Estado - Velha mistura
Ira! - Núcleo base
Os Paralamas do Sucesso - De perto
Cazuza - Brasil
Camisa de Vênus - Eu não matei Joana D'Arc
Rita Lee - Jardins da Babilônia
Lobão - Blá blá blá... Eu te amo (Rádio Blá)
Legião Urbana - Faroeste Caboclo
Biquini Cavadão - Em algum lugar no tempo
Titãs - Igreja
Raul Seixas - Anos 80
Raul Seixas - Sapato 36

domingo, 18 de maio de 2014

Ritchie e Jim Capaldi receberam influência da verdadeira música das favelas cariocas

O cantor, músico e compositor britânico Ritchie chegou ao Brasil em 1972, algum tempo depois de ter conhecido em Londres os brasileiros Lucinha Turnbull, Rita Lee e Liminha, que estavam na capital britânica para comprar instrumentos musicais. Ritchie acabou fazendo amizade com os brasileiros, e recebeu convite para vir ao país. Ritchie tem uma importante participação na história do rock brasileiro.

O baterista, percussionista e também britânico Jim Capaldi se casou com uma carioca em 1975 e se mudou com ela em 1977 para o Rio de Janeiro. Teve duas filhas: Tabitha (1977) e Tallulah (1979). Em 1980, Jim Capaldi gravou em seu LP solo Let the Thunder Cry uma composição dele chamada Favela Music, com backing vocals de Ritchie. Em 1986, os dois cantaram e tocaram a música ao vivo no programa Mixto Quente, que está sendo resgatado agora pelo Canal Viva. Tanto por essa gravação do Mixto Quente como pelos trabalhos solo, dá para perceber que os dois foram influenciados pela música brasileira, inclusive aquela feita nas favelas cariocas. Não aquela atual picaretagem bancada por donos de equipes de som, mas a música de verdade feita nas favelas. Há até percussão de samba-enredo nesta gravação ao vivo de Favela Music.


Outro grande registro de influência brasileira na carreira de Jim Capaldi foi a gravação feita com George Harrison para a música Anna Julia, o primeiro sucesso dos Los Hermanos, pouco antes da morte do ex-beatle ocorrida em 2001. Jim Capaldi morreu em 2005.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Nova música de Morrissey faz críticas ao modo como é feito o processo eleitoral no mundo


Ás vésperas de completar 55 anos de idade e celebrando 30 anos de lançamento de dois álbuns dos Smiths - The Smiths e a coletânea Hatful Of Hollow - , o ex-vocalista da banda de Manchester, Morrissey, segue com sua carreira solo lançando um novo compacto.

A música, "World Peace is None of Your Business", é faixa-título do álbum a ser lançado em breve, e os versos de Morrissey fazem uma crítica à maneira como são feitas as eleições em várias partes do mundo. O clipe da música tem a participação da cantora Nancy Sinatra, filha de Frank Sinatra e um dos ídolos de infância do cantor inglês.

Segundo o cantor, a forma como são feitas as eleições faz com que os ricos se tornem mais ricos e que, para tal fim, faz com que os pobres devam permanecer pobres. "Cada vez que você vota, você apoia o processo/ Brasil, Bahrein, Egito, Ucrânia/ Tantas pessoas sofrendo", diz um trecho da letra.

Morrissey assinou contrato com a Harvest Records, subsidiária da Capitol Records, ligada à Universal Music. No ano passado, devido a um eventual problema de saúde, os médicos aconselharam o cantor a se aposentar em 2014. Espera-se que Morrissey tenha mudado de ideia, até porque ele já afirmou que sempre gostou de se envolver com a música.

domingo, 11 de maio de 2014

José de Abreu e Roger Moreira batem boca na Internet

2014 vai ser fogo. Ainda estamos longe da eleição e os eleitores dos petistas e dos tucanos já estão quebrando pau, tanto quanto os partidos e seus candidatos. O bate-boca das últimas horas é entre José de Abreu e Roger Moreira. Tudo começou com este tuíte do Zé de Abreu. As respostas de Roger, dos apoiadores do Zé ou do Roger e de detratores de um ou de outro não tardaram, como pode ser visto nas respostas ao tuíte do Zé de Abreu. A resposta do Roger foi publicada no blogue do Felipe Moura Brasil, com direito a um cartaz que motivou o tuíte do Zé de Abreu: um cartaz de um evento do CCBB de São Paulo (que pertence ao Banco do Brasil) com vários nomes do rock nacional. Inclusive o Ultraje a Rigor, do Roger. O próprio deu seu recado durante a apresentação no CCBB:



Se os artistas consagrados do Brasil (sejam da música, da TV, do cinema, do teatro ou de qualquer outro segmento) estão errados em pegar patrocínio estatal para gravarem discos, filmes e programas de TV, mais errados são os governantes que lhes pagam. Essas são verdades que nem José de Abreu nem Roger Moreira admitirão.

No entanto, Roger Moreira mereceu duas respostas minhas:

Marcelo Delfino

@Roxmo Quando governistas dizem que artistas patrocinados devem lealdade a eles é a prova de que querem, na verdade, comprar consciências

Marcelo Delfino

@Roxmo Essa corja governista é a mesma que quer lealdade até dos concursados não filiados ou aliados do Partido

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A volta do Mixto Quente

Ontem às 22h voltou ao ar através do Canal Viva um dos melhores programas televisivos da década de 1980: o Mixto Quente. Este programa foi lançado pela Rede Globo em janeiro de 1986, para estender o sucesso que o rock brasileiro alcançou nacionalmente a partir do Rock in Rio original, de janeiro de 1985. A fórmula do programa era muito boa, e até hoje não foi igualada: várias bandas e cantores do rock nacional e alguns nomes relacionados da MPB se revezavam no palco, sempre montado ora na Praia do Pepino ora na Praia da Macumba (ambas no Rio de Janeiro), tocando ao vivo suas músicas (nada de playback) durante o tempo de programa, que durava uma hora (incluindo os intervalos comerciais).

Contextualmente e culturalmente falando, o rock brasileiro na primeira metade da década de 1980 ficou restrito a alguns segmentos, nichos e redutos localizados principalmente nas grandes cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, o rock nacional teve seus redutos, como a Fluminense FM e casas como Circo Voador e diversas outras, a maioria já extintas. O rock nacional continuou sendo algo apenas de cidade grande, apesar do estouro nacional de alguns nomes como Blitz e Os Paralamas do Sucesso e da presença de várias dessas bandas em rádios pop, como a Rádio Cidade. Esse cenário mudou com o Rock in Rio de 1985. A partir daí, o rock nacional se tornou, efetivamente, um sucesso nacional, atingindo até mesmo rincões do país. Era evidente que mesmo veículos nada-a-ver-com-rock embarcariam na onda, de alguma forma. Depois de transmitir boa parte do Rock in Rio, a forma que a Rede Globo encontrou para permanecer na onda foi colocar algumas dessas bandas e cantores do rock nacional na sua programação e criar o Mixto Quente, para juntar todas elas num programa praticamente só delas, em sequências de números musicais ao vivo.

O Mixto Quente em si também era, num contexto mais geral, fruto da cultura da juventude da época. Além da escalação das bandas e cantores, a estética do programa era escancaradamente voltada para os jovens. O palco era montado em forma de asa delta, e tinha uma torre de vidro ao fundo, com uma estética claramente oitentista. A logomarca também refletia a estética da época. E a escolha dos locais de gravação (duas praias cariocas) era um pretexto para mostrar a própria juventude se divertindo na praia, para que os próprios se identificassem com o programa vendo vários jovens semelhantes a eles ali na tela, geralmente vestindo a moda praia da época.

A escalação do programa de ontem (exatamente a primeira edição gravada, em janeiro de 1986) foi uma boa amostra de todas as edições do Mixto Quente. Começou com Lulu Santos, primeiro nome oitentista (mas egresso da banda progressiva setentista Vímana) a fazer sucesso (isso em 1981!). Lulu tocou faixas que constaram em seu primeiro compacto e em seu LP Tempos Modernos. Aliás, Nelson Motta (antigo parceiro de Lulu) integrava a equipe de produção do programa. Assim como o fever Miguel Plopschi, que visivelmente influiu pouco na concepção artística do programa. Lulu Santos foi a atração principal da edição de ontem, pois tocou mais músicas que os outros, abriu e fechou o programa. O setentista Guilherme Arantes foi a única atração do programa a não estourar na década de 1980. Guilherme começou a carreira na banda de rock progressivo Moto Perpétuo em 1973, estourando em carreira solo posteriormente, ainda nos anos 70. Supla apareceu no programa a bordo de sua então banda Tokyo. Vinícius Cantuária e Kiko Zambianchi completaram, com Lulu Santos, a lista de artistas solo oitentistas do dia. O Capital Inicial tocou ao vivo a música Descendo o Rio Nilo, ainda com o arranjo utilizado no compacto lançado anteriormente pela CBS e tocado na Fluminense FM. Os Titãs também compareceram, ainda em sua fase pré-Cabeça Dinossauro.

Praticamente todos os nomes do rock nacional que estouraram nacionalmente tocaram e cantaram no Mixto Quente. Eles deverão aparecer nas próximas edições do programa. Inclusive as duas maiores bandas da década: Legião Urbana e RPM. Também deverão aparecer artistas da MPB que já faziam sucesso na época. A lista de futuras atrações do Mixto Quente no Canal Viva é enorme: Barão Vermelho, Zero, 14 Bis, Plebe Rude, Tim Maia, Escola de Escândalos, Cazuza, Caetano Veloso...

domingo, 4 de maio de 2014

O Peso na Kiss FM. E é Peso com P maiúsculo

Ontem o programa BR 102 foi magistral. Entraram mais bandas dos anos 60 e 70 como pouco se ouve em rádio. Uma delas foi O Peso, banda carioca fundada em 1974 pelo vocalista cearense Luiz Carlos Porto. O grupo lançou apenas um LP, Em busca do tempo perdido (1975), onde podia ser encontrada a faixa Cabeça Feita, tocada ontem no BR 102. Completaram a lista de sessentistas e setentistas de ontem no BR 102: Mutantes, O Terço, Made in Brazil e o maior nome de todos: Raul Seixas, presente em todas as edições do BR 102 com duas músicas no final do programa. Também tocaram uma do Lobão, oitentista egresso dos anos 70, por ter integrado o grupo Vímana.

Eis a programação do BR 102 em 3 de maio de 2014:

Os Paralamas do Sucesso - Uns dias
Uns e Outros - Dias vermelhos
Capital Inicial - Descendo o Rio Nilo (compacto)
Legião Urbana - O Senhor da guerra (versão do especial infantil televisivo A Era dos Halley)
Mutantes - Top top
O Peso - Cabeça feita
Lobão - É tudo pose
O Terço - Hey amigo
Ira! - Receita para se fazer um herói
Made in Brazil - Uma banda made in Brazil
Titãs - Diversão
Raul Seixas - Eu também vou reclamar
Raul Seixas - Metamorfose ambulante / Rock das "aranha" (ao vivo)