domingo, 20 de julho de 2014

Fuzzcas fazem parte de algo maior que nem eles perceberam


Ontem foi dia de mais uma apresentação ao vivo dos Fuzzcas, desta vez no evento Alô Alô Atitude, no Teatro Municipal do Jockey (municipal porque é um teatro administrado pela Secretaria Municipal de Cultura em espaço cedido pelo Jockey Club Brasileiro). Foi uma das primeiras apresentações do grupo depois da participação deles no concurso (classificado como um riélite) Superstar da Globo. A apresentação em si foi memorável. O grupo está cada vez mais afiado no palco. Seja em postura de palco, seja na execução instrumental das músicas, seja no canto de Carol Lima, autora de todas as letras da banda.

O ano de 2014 está marcando uma virada na carreira do Fuzzcas. O grupo começou sua carreira no final da década passada, e sempre foi um dos mais promissores grupos da cena indie carioca. O Fuzzcas tem um CD independente lançado no início deste ano, Feliz dia de ontem, além de um CD demo (um EP, na verdade) lançado nos anos anteriores e uma faixa num tributo a Michael Jackson: uma versão roqueira para The Way You Make Me Feel que a banda costuma tocar ao vivo. Tocou inclusive ontem. Só que neste ano a banda teve uma exposição nacional inédita, por conta da participação naquele festival Superstar. Tá, a banda milita na Internet desde o início, tendo contatos em vários lugares. Mas a TV ainda é a grande vitrine de exposição musical do país e dita a pauta inclusive da Internet. Bom pra banda, que quase chegou na fase final do Superstar e acabou conquistando fãs em vários cantos do país e até no exterior.

O dia de ontem merece uma menção especial na trajetória do Fuzzcas. No cada vez mais efervescente circuito musical carioca, uma conjunção cósmica fez com que houvesse três apresentações de primeira classe ao mesmo tempo no Grande Rio. Enquanto os Fuzzcas tocavam no Teatro do Jockey, Alceu Valença tocava na Fundição Progresso e a Plebe Rude tocava no Bar do Meio, em Niterói. Alceu está na estrada desde 1971. A Plebe está na estrada desde 1981, com um hiato de 1994 a 1999. Os Fuzzcas estão na estrada desde 2006, mas ao tocarem no Rio de Janeiro num dos mais prestigiados teatros da cidade na mesma data em que nomes consagrados da música brasileira tocavam em outros lugares, passaram a fazer parte de algo maior que nem eles perceberam. O cenário nacional da música brasileira está com as portas abertas para o Fuzzcas. Participar do Superstar foi uma prévia. O Fuzzcas tem bagagem musical e cultural para transcender a cena indie carioca e conquistar espaço no cenário nacional. Tem aquela garra típica das melhores bandas de rock, tal como a Plebe. Até com aquela postura de "vamos salvar o rock", bem ao estilo "faça você mesmo", ao invés de esperar que outros façam. Estão inseridos na forma carioca de ver o mundo e abordar assuntos que vão do amor à vida urbana. Não dá para dissociar as letras e o canto de Carol Lima e o instrumental da banda da cidade do Rio de Janeiro, assim como não dá para dissociar os Los Hermanos (hoje em recesso) da mesma cidade e o Alceu do estado de Pernambuco. O grupo Fuzzcas só poderia ter sido criado no Rio de Janeiro, não em outra cidade. Além disso tudo, os Fuzzcas conseguiram uma combinação única de letras espertas e desencanadas, rock clássico dos anos 1960 e 1970 e referências emepebísticas (incluindo versões de músicas de Belchior).

Tomara que os Fuzzcas tenham uma vitoriosa carreira e que ouçamos muito mais deles e sobre eles.

Aqui, a lista de músicas que a banda tocou ontem:

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Morre Johnny Winter, guitarrista de blues, aos 70 anos


Morreu aos 70 anos, em um quarto de hotel na cidade de Zurique, na Suíça, o cantor e guitarrista de blues Johnny Winter. Um dos astros do festival de Woodstock de 1969 e com uma carreira de mais de 50 anos, Winter era um músico de blues com bastante prestígio e entrosamento com o cenário do rock setentista.

Winter gravou cerca de 40 álbuns de estúdio e produziu, na virada dos anos 70 para os 80, três LPs de Muddy Waters, que chamava o músico de "filho". Winter também colaborou em discos de John Lee Hooker e era fã do guitarrista B.B. King, de cujas apresentações lhe inspiraram a iniciar carreira.

Seu estilo sonoro influenciou praticamente todo o rock do final dos anos 60 e decorrer dos anos 70, principalmente o chamado "rock sulista" dos EUA (Creedence Clearwater Revival, Lynyrd Skynyrd e Allman Brothers). Também era muito admirado pelos músicos de rock britânico, como Eric Clapton e Rolling Stones.

Nascido John Dawson Winter III, ele começou sua carreira fonográfica depois que seu concerto de abertura durante a turnê de Mike Bloomfield chamou a atenção da imprensa e das gravadoras, em 1968. Ele também foi considerado um dos cem maiores guitarristas do mundo segundo a revista Rolling Stone.

Musicalmente, ele era também influenciado pela música negra contemporânea do Texas, seu Estado natal, e combinava a sonoridade acústica de Robert Johnson (1911-1938) com o rhythm and blues, a forma dançante e eletrificada do blues.

Johhny também tem um irmão músico, Edgar Winter, que também tem carreira consolidada no blues e líder do famoso Edgar Winter Group. No começo da carreria, os dois chegaram a formar uma dupla no estilo Everly Brothers, que chegou a apresentar em vários programas de TV no Texas.

Ainda não foi divulgada a causa do falecimento do músico. Segundo a agência noticiosa Reuters, Winter deixou pronto seu último álbum, que será lançado em 02 de setembro próximo, que contou com a participação de músicos como Ben Harper e Eric Clapton.

sábado, 12 de julho de 2014

Morre último remanescente da primeira formação dos Ramones

RECÉM-FALECIDO, O BATERISTA TOMMY RAMONE É O QUE APARECE COM A CAMISETA CURTA, MOSTRANDO A BARRIGA.

O último remanescente dos quatro membros originais dos Ramones, o baterista Tommy Ramone, faleceu no último dia 11, em Nova York, vítima de câncer no ducto biliar. Nos últimos anos, além de músico, ele atuava também como produtor de discos.

Tommy participou dos primeiros discos dos Ramones, e seu nome era Tommy Erdelyi. Ele fundou a banda juntamente com o vocalista Jeffrey Hyman (Joey Ramone), o baixista Douglas Colvin (Dee Dee Ramone) e o guitarrista John Cummings (Johnny Ramone).

Os Ramones foram um dos representantes mais populares do punk rock dos EUA, tendo sucedido os pioneiros New York Dolls e Stooges. O grupo é muito popular no Brasil, país visitado pela banda várias vezes.

Apenas Joey e Johnny ficaram em todas as formações do grupo. Os Ramones foram extintos em 1996, depois de encerrarem sua turnê no Lollapalooza. Joey faleceu de câncer linfático em 2001, Dee Dee faleceu de overdose em 2002 e Johnny de câncer na próstata.

Atualmente o legado dos Ramones é representado por bandas derivadas, como Los Gusanos e Marky Ramone and the Intruders, formadas respectivamente pelos músicos que tocaram nos Ramones, como Chris Ward (DJ Ramone) e Marc Bell (Marky Ramone).